Três décadas de sindicalismo independente e participativo

Quarta-feira, 02 de Outubro de 2013 - Última alteração em 02/10/2013 às 00:00
fonte:  Imprensa SMetal
Paulo de Andrade/Imprensa SMetal
Homenagem do SMetal aos 30 anos de Central sindical do trabalhor
Homenagem do SMetal aos 30 anos de Central sindical do trabalhor
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Homenagem do SMetal aos 30 anos de Central sindical do trabalhor
Homenagem do SMetal aos 30 anos de Central sindical do trabalhor

Há 30 anos os trabalhadores de Sorocaba e região passavam a conviver com uma nova forma de fazer sindicalismo.

Liderada pela categoria metalúrgica, a CUT, recém-criada no ABC Paulista, chegava a Sorocaba pela filiação do Sindicato dos Metalúrgicos à nova central. A nova entidade propunha um sindicalismo mais amplo socialmente, mais combatívo e desatrelado dos patrões e das políticas totalitárias que vigoravam na época desde o golpe militar de 1964.

As mudanças de rumo do sindicalismo da região começaram efetivamente em 24 de setembro de 1983, quando Wilson Fernando da Silva, o Bolinha, encabeçador da Chapa 3, elegeu-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região.

A vitória de Bolinha tirou a entidade das mãos de uma diretoria aliada aos patrões e ao regime militar que governava o Brasil havia quase 20 anos. "Os trabalhadores estavam insatisfeitos com o sindicalismo burocrático, assistencialista, chegado aos entendimentos de cúpula e distanciado dos problemas das classes, como emprego [falta] e arrocho salarial", registrou o jornal Cruzeiro do Sul da época em editorial.

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Bolinha (esq) e Lula na sede do Sindicato em Sorocaba em meados dos anos 80 (Foto: aqrquivo SMetal)



Mudanças de postura são imediatas

Na primeira campanha salarial liderada pela nova diretoria cutista, seis meses após a posse, já era possível ver a mudança. Firme em suas posições e com protestos e paralisações, a nova diretoria demonstrava aos patrões, e aos próprios trabalhadores, que o sindicato havia tomado outro rumo.

Os cutistas não aceitavam mais acordos de bastidores sem a participação da categoria, revelando que a nova diretoria não era mais submissa às imposições do patronato, nem do governo.

Mesmo sob repressão policial houve paralisações em diversas fábricas e até mesmo um decreto do governo federal, que impedia reajustes acima da inflação, fora atropelado, pois os metalúrgicos conquistaram reajustes acima da inflação em várias empresas. "É esse modelo de independência e de comprometimento com os trabalhadores, nascidos com a criação da CUT, que nos norteiam até hoje", declara o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Ademilson Terto da Silva.

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Com a CUT,os metalúrgicos passaram a participar efetivamente das decisões (Foto: Paulo de Andrade)



Avanço vai além das questões trabalhistas

Mas as conquistas da CUT e dos Metalúrgicos nestes 30 anos não ficaram apenas no chão de fábrica. Ainda na primeira metade dos anos 80 a Central lutou pela redução da jornada de trabalho, que foi alcançada com a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

Em Sorocaba e região o novo sindicalismo cutista ta
mbém ajudou a fomentar outros movimentos sociais, sempre em busca de mais bem-estar social para a classe trabalhadora e toda a sua família.

"Foi essa visão ampliada das questões sociais que fez da CUT peça fundamental na transformação do País. Sem ela o Partido dos Trabalhadores não teria elegido Lula e Dilma para presidente do Brasil. E sem eles [Lula e Dilma] nosso País não teria passado por tamanha transformação social, tecnológica e econômica como estamos vivendo nos últimos 10 anos", analisa o vereador Izídio de Brito, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, seguidor dos princípios da CUT e admirador dos ensinamentos, da garra e da ousadia do amigo do Bolinha.

 

Diretoria do SMetal eleita em 1983

Wilson Fernando da Silva
Presidente

João Batista Silva
Vice-Presidente

Antonio Alves Silva
Secretário Geral

Américo Ximenes Peres
1º Secretário

Pedro Ferreira dos Santos
Tesoureiro

Elizeu Pereira
1º Tesoureiro

José Carlos Pereira
Diretor Patrimônio

Romeu Pires de Barros

Iracemo de Camargo

Benedito Fatimo dos Santos

Joveniano Ferreira de Barros

Gerson Furtado

Celso Delfino

Almira Rodrigues Gabriel

Edson João Mora

José Eduardo Assunção

Nelson Paccola

Ezequiel Pinto Ferreira

Jair Pereira da Silva

José Carlos da Costa

Alvacy Lopes Ferreira

Adhemar do Nascimento

Lourival Garcia

Rodinei Germano Ghnó

 

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